Trupe Madiba de Arte e Cultura

 A escola é um lugar onde os mundos se encontram. Todos os dias, as rotinas, os humores e as histórias de quem passa por ela se misturam. Foi nesse espaço que desenvolvi meu trabalho com a Trupe Madiba de Arte e Cultura, grupo de teatro da Escola Municipal Nelson Mandela, em Valparaíso de Goiás, que permaneceu em atividade até 2023.

Criada pela professora Cleide Mendes, a Trupe já tinha uma trajetória de apresentações em escolas da região quando assumi sua direção, em abril de 2019, durante sua licença-maternidade. Eu chegava com minhas experiências como ator e professor de Inglês, recebendo um grupo que já trazia para a cena questões como violência doméstica, sororidade e feminicídio. O desafio era dar continuidade ao trabalho e descobrir, junto aos estudantes, outras possibilidades de criação.

Em Carmim, espetáculo que codirigi com Cleide, o vermelho simbolizava sangue e força. Minha fotografia tornou-se a imagem do trabalho, enquanto os ensaios passaram a incluir aquecimentos corporais e vocais, jogos teatrais e exercícios de percepção e ocupação do espaço. Organizei as cenas em blocos, permitindo adaptar o espetáculo às condições de cada apresentação. Mantinha também um diário de bordo, onde registrava o desenvolvimento do grupo, as dificuldades e as ideias que surgiam pelo caminho.

Aos poucos, fui percebendo que a compreensão dos temas transformava a presença dos estudantes em cena. Era necessário conhecer o próprio corpo, confiar nos colegas e conversar sobre aquilo que estávamos apresentando. As experiências com o teatro físico e as propostas de jogos teatrais ajudavam a conduzir esse processo. O espetáculo crescia, amadurecia e se modificava a cada encontro com o público.


Durante a pandemia, a distância trouxe outras perguntas: como continuar um grupo de teatro sem compartilhar o mesmo espaço? Em 2020, dirigi e editei Joyce, Vê, uma experiência teatral audiovisual com a Trupe. Em 2021, o projeto de retomada articulava encontros online e presenciais, acolhimento dos estudantes e criação colaborativa. Naquele ano, dirigi também Vacina!, trabalho que abordava a pandemia e a vacinação.

Meu trabalho com a Trupe Madiba foi um espaço de formação para os estudantes e para mim. Entre ensaios, conversas e apresentações, fui aproximando a prática artística da docência, aprendendo a conduzir processos que dependiam da participação de cada pessoa. A cena tomava forma nesse encontro: nos corpos, nas histórias e na disposição de criar alguma coisa juntos.



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